Diário da Lenore

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Diário da Lenore

Mensagem por Lenore Weiss em 13/2/2011, 00:31

Spoiler:

Eu tinha quase 18 anos e grandes planos para o futuro. Estava esperando a admissão na faculdade para, finalmente, sair de casa e, principalmente, me afastar da vida que eu tanto odiava: o mundo sobrenatural. Meus pais eram caçadores, o que resultava em mudanças constantes. Casa, escolas, amigos.  Minha adaptação às novas vidas era um processo difícil, que levava tempo. Quando conseguia me encaixar num lugar, lá estavam os Weiss procurando uma casa nova, por isso almejava tanto ser independente. Queria ser como meu irmão mais velho, Alex. Ele tinha 24 anos, estava na faculdade e eu o idolatrava. Éramos muitos unidos, porque, assim como eu, ele já havia sentido as conseqüências de ter pais caçadores e me entendia de maneira plena. Quando saiu de casa, foi um tanto difícil perder aquele que me dava suporte.

No meu aniversário de 18 anos, Alex veio nos visitar. Deu-me de presente um medalhão de ouro, onde se podia colocar duas pequenas fotos. ”Como passo muito tempo longe, quero que coloque uma foto da família, pra que não se esqueça de que, apesar de tudo, somos mais bonitos juntos.” O abracei com força e agradeci pelo presente perfeito. Quase um mês depois recebi uma carta da faculdade. Nela estava contido o meu futuro. Telefonei para meu irmão e combinamos de ver o resultado juntos. Alex chegou dois dias depois. Meus pais, que não sabiam da carta, já estavam suspeitando de um caso e viajaram. Passariam o final de semana fora e deixaram a mim e meu irmão sob a responsabilidade de nosso vizinho David, que também era caçador.

Nesse dia, que deveria ser perfeito, deu tudo errado. Assim que Alex chegou, abrimos a carta juntos. Para minha felicidade, eu havia sido aceita, com direito à bolsa integral, então saímos imediatamente para comemorar. Às 03:00 AM resolvemos voltar para casa. Andávamos tranquilamente até que um carro, em alta velocidade apareceu e veio em nossa direção. Corremos o mais rápido que podíamos, mas não havia lugar para se esconder. Ao passar por um beco, Alex me empurrou para o lado e eu caí com força no chão. Antes que pudesse me levantar, um homem me segurou pelo pescoço, me empurrou contra a parede e mostrou suas presas. Era um vampiro. “Menos um nosso, agora menos um de você. Estamos quites. Se seus pais vierem atrás de nós, vamos atrás de você”. O vampiro me largou no chão e em seguida escutei o barulho dos pneus no asfalto. Levantei rapidamente e corri para ver meu irmão. Ele estava caído no chão e sangrava muito. Chamei uma ambulância, mas Alex morreu antes que ela chegasse.

Um mês se passou e parecia que a família havia parado no tempo. Meus pais, ainda muito abatidos, pareciam não ter força alguma para seguir em frente até que certa manhã vi meu pai levar várias caixas para a garagem. Dentro delas estavam todos os equipamentos e armas e caça. Ele e minha mãe decidiram parar para sempre. Sentiam-se culpados pelo que aconteceu e temiam que alguma coisa ainda pudesse acontecer comigo, já eu começara a pensar diferente. Não podiam parar naquele momento. Alex havia sido assassinado. Mais do que nunca aquelas coisas precisavam ser caçadas e exterminadas. Meus pais e eu tivemos uma briga séria, mas eles estavam irredutíveis, não voltariam a caçar. Alex precisava ser vingado e era isso que eu ia fazer. Eu só estava ali por causa do sacrifício dele. Culpava-me por não ter feito nada para salvá-lo e sentia que tinha uma dívida com ele. Naquele momento decidi me tornar caçadora. Era óbvio que meus pais não concordariam,  o que nos fez ter uma briga feia antes que os deixasse, mas eu já era maior e podia fazer minhas próprias escolhas. Fui até a garagem, peguei alguns equipamentos, armas e saí de casa para começar uma nova fase.

Agora eu era caçadora e estava investigando meu primeiro caso. Era um fantasma. Eu só não contava que seria mais complicado do que eu imaginava. O fantasma que deveria ser eliminado era Sean, um caçador que já havia conhecido antes. Foi um choque ver o que ele havia se tornado. Hesitei. Pensei em abandonar o caso, mas tomei coragem e fiz o que devia fazer. Passei algum tempo no hospital, ossos do ofício, mas senti que valeu a pena. Ficaria mais animada, se não tivesse envolvido um conhecido. Aquilo serviu de alerta. Estava caminhando por uma estrada cheia de riscos e o que eu desejava podia não estar no final. Será que eu acabaria como Sean?

Havia passado pelo meu primeiro desafio e estava pronto para os próximos. Durante um bom tempo, dividi o sobrenatural em bom e mau. Mais precisamente céu e inferno, como todos faziam, porém nem tudo é o que parece. Com o passar do tempo notei que lados não existem e, na verdade, cada um luta pelos seus interesses. Integrantes do céu eram capazes de usar qualquer meio em busca de um fim, enquanto eu, ironicamente, construía amizades com seres que jamais imaginei ser possível. Não havia espaço para rótulos naquele mundo, o que tornava minha jornada mais difícil. Agora eu tinha que aprender a ver quem era bom e quem era mau. Percebi também que, como caçadora, estava aquém das coisas que gostaria de enfrentar. Precisava de poder, então decidi me juntar ao inferno. Em minha mente aquilo era um meio necessário para chegar à minha vingança.

Esqueci que os fins nem sempre justificam os meios. Deixei meu objetivo me consumir de uma maneira ruim. A minha visão estava distorcida. Fui capaz de matar gente de bem, caçadores como meus pais, como eu era antes. Nada mais fazia sentido. Eu já estava confusa o bastante e meu envolvimento amoroso, com um celestial, diga-se de passagem, mostrou-me que tomara um rumo totalmente diferente do que desejava. A vida sabe ser irônica. Aconteceu exatamente como na minha primeira caçada. Resolvi que estava na hora de acertar as coisas. Por ser uma decisão importante, contei com a ajuda de mãos queridas para chegar ao final de meu caminho torto. Entendi que havia errado e me arrependi, mas agora eu estava no inferno, por escolha minha, e só me restava aceitar. Era como eu havia escutado antes, “Você deveria saber o preço do mal e agora dói saber que você pertence a este lugar...”


Última edição por Eleonora Weiss em 5/7/2013, 15:16, editado 5 vez(es)

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Re: Diário da Lenore

Mensagem por Crowley Todd em 8/3/2012, 20:44

Saga aprovada, player ressuscitado.

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Re: Diário da Lenore

Mensagem por Lenore Weiss em 23/8/2012, 12:48

Ontem descobri um vazamento na pia da cozinha de minha casa. Chamei um encanador que, felizmente, não me cobrou muito pelo serviço, assim evito mexer em minhas economias, coisa que eu faço praticamente todo mês. Estou tentando juntar dinheiro para comprar um carro, mas não tenho nem pra uma moto mais ou menos, as coisas andam meio apertadas. Como seria bom ter um carro! Isso me ajudaria muito no trabalho. Quem sabe se eu gastar menos com bebida.

Faz algum tempo que não vejo Alaric, um grande amigo e estou com saudades dele. Não lembro ao certo quando me visitou pela última vez, já que não costumo receber visitas, até porque passo muito tempo no Bar da Estrada. Na hora do almoço, Marie, minha gata, aparaceu na janela. Ela não é realmente minha, provavelmente é de rua, mas de vez em quando aparece em minha casa e lhe dou comida. Sempre quis ter um animal, no entanto é uma péssima idéia para quem passa a maior parte do dia fora e viaja frequentemente. Marie é o bicho de estimação perfeito, exceto quando tento lhe dar banho.

Enquanto passeava pelos canais da tv, assisti a propaganda de uma empresa de turismo. Adoraria viajar para outros países, fazer um mochilão pela América do Sul. Se bem que me contentaria em viajar pelos EUA, desde que fosse uma viagem de férias. Todos os lugares que visitei, fui com o intuito de caçar. Podia ter nascido rica, mas minha condição atual só me permite viajar de férias pra outro canto se for, sei lá, num pau de arara. Lembro que há alguns anos tive os animais que tanto queria. Cheguei a ter um mordomo, chamava-se Alfred, como o do Batman, mas eu não namorava Bruce Wayne - infelizmente. Estava vivendo uma situação bem diferente, mas isso é uma outra história...


Última edição por Lenore Weiss em 24/11/2012, 17:44, editado 3 vez(es)

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Re: Diário da Lenore

Mensagem por Lenore Weiss em 23/8/2012, 12:51

Costumava reclamar do fraco movimento do Harvelle's, mas esses tempos o bar está bem agitado. Contratei uma funcionária nova, Drina, que está se saindo muito bem e alguns dias atrás, um sujeito que bebeu demais roubou o impala de Gregory e entrou no bar, destruindo a porta. No dia seguinte, houve um momento de tensão entre dois caçadores e quase todos os presentes ficaram na iminência de atirar uns contra os outros, inclusive eu. Felizmente os ânimos melhoraram e as coisas estão mais tranquilas. Espero que continue assim. Tenho tentado manter a paz, nem que precise usar a 12 que deixo atrás do balcão, mas ninguém morre no meu bar, isso é praticamente um lema.

Na verdade o RoadHouse não é meu, mas cuido como se fosse. Se tivesse dinheiro, o compraria dos Harvelle. Acho pouco provável que me vendessem, no entanto sonhar não mata ninguém - a curto prazo, não. Além disso, a vida de garçonete/caçadora rende pouco. O que ganho no bar tem que ser revertido em equipamentos e armas. E pensar que agora eu podia estar na universidade, estudando pra ganhar dinheiro. Que cerda de vida eu escolhi, hein. Contudo, apesar de algumas besteiras que fiz por aí, não me arrependo de ter escolhido caçar, devo isso ao Alex. Só queria poder deitar com cabeça vazia, ter uma noite tranquila, sem ficar remoendo velhos assuntos.

Falando em assuntos antigos, esses tempos tenho pensado muito em meus pais. Talvez seja pela proximidade de meu aniversário. Nos nossos bons tempos, nenhum passava em branco, sempre comemorávamos. A última vez em que nos falamos, dissemos coisas horríveis um para o outro, eu principalmente e isso me atormenta todos os dias. Lembro como se fosse ontem das palavras de meu pai. Foi a nossa pior briga e também a última, porque tempos depois morri. Achei que fosse me acostumar, mas cada vez que penso nisso, me parece mais estranho e quando lembro do inferno, fica assustador. Desde que voltei, tenho vontade de visitá-los. Talvez seja melhor não fazê-lo. Não sei se é cruel de minha parte deixá-los acreditar que estou morta, mas assim evito novas discussões. Só quero evitar desavenças, quero que fiquem o mais em paz possível, depois de tudo o que aconteceu. Já passei alguns aniversários sozinha, mais um não vai fazer diferença.

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