Capitulo II
Quando elas desceram, Sam as esperava.
- Fui procurar a carruagem. – Sam disse, distanciando Rosa dos demais. – Um veiculo elegante com a roda quebrada. Não há empregados nem bagagem, e o rapaz recusa-se a dar explicações. Minha vontade é de não fazer nada, mas eu sei que o jovem não será capaz de resolver a situação. – Ele alterou a voz e, de longe, alicia olhou-o assustada.
- Nós não somos responsáveis por eles, ,mas como entregá-los à própria sorte? – Declarou Rosa.
Ela voltou e conduziu Alicia à sala reservada, onde o jantar esfriava sobre a mesa. Jenny, Sam e Dare Devil as seguiram.
-Eu amo Alicia – Dare exclamou de repente.
- é natural que ame a sua irmã, mas falhou em protegê-la. – Comentou Sam, sarcástico.
- Na verdade – Alicia disse com os olhos úmidos. – Não somos irmãos. Meu nome é Alicia Brandolf, e meu pai matará Dare se voltar-mos! Nós fugimos para nos casar em Gretna Green.
Todos conheciam a fama de Gretna Green, na fronteira com a escócia, um vilarejo utilizado por casais que não podiam se casar na Inglaterra, e se valiam desse artifício para lá contrair o matrimônio válido em todo reino unido. Numa época que as separações não existiam, por lei e por honra, casar-se em Gretna Green era a maneira de burlar as proibições familiares ou legais de toda ordem.
- Nós nos amamos – Afirmou o rapaz exasperado. – Não poderei manter Alicia no nível que ela está habituada, mas nos amamos de verdade. O que há de mais importante que o amor?
- Como há de saber sendo tão jovem? – Replicou Sam – Agiu de forma irresponsável,e eu vou arranjar para que sejam levados de volta.
- Não por favor! – Interferiu Alicia – Meu pai prenderia e mataria Dare, já disse.
- Mas não podem lançar-se ao desconhecido dessa maneira – Rosa tocou o ombro, amigável.
- Não nos abandone Srta Dunn.
- Não somos salvadores! Se seu pai aparecer melhor! – Exclamou Sam imperturbável.
- Não seremos um fardo. – Dare disse. – Alicia está nervosa, mas vai se recompor.
Rosa sugeriu que comessem, e conduziu Sam para fora da sala.
- Não vamos arriscar nossa missão por causa de dois idiotas! – ele começou zangado.
- Não é justo largar-los a própria sorte nessas estradas cheias de vagabundos. O rapaz nem possui uma arma! Deixaram-se levar pela paixão e não consideraram fatos simples como a chuva e a alimentação.
- A senhorita tem um coração generoso – Sam a fitou – O que sugere?
- Levá-los de volta ao pai dela em Surrey.
-Atrasará nossa viagem. Podemos contratar alguém para levá-los.
- Se algo lhes acontecer, me culparei para sempre.
O capitão tocou-lhe o braço. Um toque ao mesmo tempo firme e suave.Parecia querer dizer-lhe algo, porém desistiu.De repente, Rosa sentiu desejar a´proximar-se do corpo dele, mas deteve o impulso. Notou que Sam fazia força para se controlar. Ela deu um passo para trás.
- Vamos voltar antes que notem a nossa ausência. – Ele disse e ela concordou, comas mãos trêmulas.
Alicia ainda chorava, e jenny comia, despreocuada.
- Decidimos levá-los a sua família. – Rosa informou.
- Não por favor! – Alicia implorou. – Eu me atiro de uma ponte na primeira oportunidade.
- Não diga isso meu amor! – Dare se jogou aos seus pés.
- Chega de melodrama! – Sam exclamou, e o rapaz recuou.
- Não pode me obrigar a voltar Srta Dunn. – Alicia voltou, exasperada, e Rosa sentou-se ao seu lado.
- Então conte-me tudo, sem omitir nenhum detalhe.
A jovem assoou o nariz num gesto nada feminino e respirou fundo.
- Fugir e casar era minha única solução. Minha mãe morreu quando eu era criança, e meu pai se entregou à bebida. Fui criada por uma tia que, por ser pobre, decidiu cuidar de mim, vendo nisso a solução para os seus problemas financeiros. Meu pai nunca a recompensou ao longo dos anos. Apesar de ter posses, nunca a retirou das dificuldades, e agora acredita que Dare deseja a fortuna dele.
Rosa pensou na pressão de seu pai para que desposasse Dark. Fitou Dare acuado em uma cadeira num canto. Frágil, não parecia caça dotes, mas alguém capaz de se apaixonar perdidamente por alguém como Alicia. Entretanto sentia algo errado no ar.
- Meu pai me trancará a pão e água!- disse Alicia, de novo, à beira de lágrimas.
- Seguramente exagera. –Sam estava desconfiado – Seu pai não pode ser tão cruel.
- Não é meu é meu pai verdadeiro – informou Alicia. – Eu herdei as posses maternas, e meu padrasto quer tomar-me a herança.
- Não pode fazê-lo, se a senhorita é a herdeira legal. – Sam replicou com suspeição.
- Por isso quer me impedir de casar. – Alicia se atirou ao chão, dramática. – Não me obriguem a voltar, eu imploro!
- Levante-se – Rosa exigiu. – Está descontrolada, necessita de chá quente e cama. Tudo parecerá melhor amanhã.
- Prometa-me Srta Dunn – Alicia ergueu-se.
- Amanhã decidirei.
- E quanto a você pobre apaixonado – Sam fitou dare com sarcasmo. – Qual a sua história?
- Conheci Alicia toda a vida. – O jovem começou, aproximando-se. – Meu pai tinha posses em Surrey, mas perdeu quase tudo e hoje estamos pobres.
- Se estão pobres, como viajavam em uma carruagem tão elegante?
- Emprestada por um amigo, sir Wisley. Meu pai espera que eu construa um futuro melhor, pois possuo amigos de posses.
- Se casar com a Srta Brandolf, terá posse da fortuna dela! Um ótimo partido.
- O senhor me julga como o pai de Alicia! Não sou um caça dotes, eu a amo!
- Eu me atirarei de uma ponte! – Repetiu Alicia.
- Não diga tolices, senhorita Brandolf. – Rosa a repreendeu. – Se insistir em encenar dramas, os deixarei resolver seus problemas. Agora devem subir e dormir. – Virou-se para Alicia e indicou a camareira – Jô cuidará de você.
- Obrigada. – A garota tocou em seu braço. – Conto com sua ajuda Srta.
- Não prometi nada.
- Há algo que não contei. Meu pai bate em mim e me deixa com marcas roxas!
- Hora de dormir! – Rosa repetiu, trocando um olhar sombrio com o capitão. A cada momento os dois jovens mencionavam novos problemas.
Jenny conduziu-os e, ao ver-se à sós com Sam, Rosa ponderou a situação:
- A dificuldade é maior do que imaginei. – Sentou-se a mesa, sem apetite para comer. – Mas eu não posso devolver Alicia a um pai tão cruel.
- Sugere deixa-los seguir e se casar? – Sam arregalou os olhos. – Seria um Escândalo!
- Não creio que a Srta Brandolf e o jovem Devil, transitem por ambientes sociais, e o incidente pode ser abafado. Eles não escolheram o mundo em que vivem, mas possuem coragem para nadar contra a corrente.
- Coragem? São dois desmiolados! – Sam estava zangado, embora confuso.
- Opõe-se a permitir que sigam para Gretna Green? – Indagou Rosa.
- é contra as regras da decência.
- Onde está seu romantismo? – Ela sorriu. – Nunca cometeu uma loucura de juventude?
- Às vezes me comportei de maneira irresponsável, mas nunca fiz algo desse tipo! – Sam também sorriu, contagiado pela ternura que Rosa exalava.
-Não tem tanta idade.
- Aos vinte e oito anos, desenvolvi o senso de moralidade.
- Um jovem cavalheiro a quem não pode se reprovar nada? – Ela perguntou, cada vez mais amiga.
- Eu aprecio o decoro.
- Creio que também aprecias aventura, por isso aceitou essa viagem.
- Partilhamos a mesma natureza senhorita. Apreciamos desafios e mudança de cenário.
- Sim. – A intimidade entre eles se tornava palpável. – Muito tempo no mesmo local nos torna irrequietos e insatisfeitos.
- A senhorita é especial. Admiro mulheres que expandem os próprios horizontes.
- Meu pai simpatizaria com o senhor capitão. – Rosa nunca se sentira tão próxima de alguém. – Creio ter de ajudar os dois jovens. Meu lado aventureiro diz que eles devem seguir e se casar, mas minha razão me diz que ela é jovem demais pra julgar o melhor para si.
- Dare me parece confuso.
- O desespero faz as pessoas agirem de forma estranha. Talvez alicia o tenha forçado a fugir pelo desespero de sair de casa, para escapar do pai despresível. Penso que ela jamaispassou uma temporada aqui em Londres, onde outros rapazes demonstrariam interesse. Assim, ela teria aprendido mais sobre a vida, em vez de se apaixonar perdidamente pelo jovem Devil.
- O amor é incompreensível. – Sam sorriu. – Diga-me, a Senhorita já se apaixonou?
- Não nunca. – Rosa respondeu talvez rápida demais. – E o senhor?
- Deseja saber das marcas que trago no meu coração?
- Seria justo, pois me questionou primeiro.
- São marcas profundas. Pretendia casar-me com a senhorita Samantha Bancroft, mas retornei da guerra não como herói, mas como ferido. O amor dela acabou, e ela não quis me ajudar a recuperar a saúde. Terminou desposando alguém que oferecia mais. Talvez eu fosse apenas uma fantasia, por estar sempre ausente nas campanhas de guerra. Não conseguiu esperar por mim. – Sam sorriu com amargura.
- Expulsou definitivamente o amor do seu coração capitão?
- Não sei. Mas hoje vejo o amor de forma madura e não creio que tornarei a me apaixonar como aqueles dois pombinhos. Bem, já fiz as minhas confissões. E agora é a sua vez senhorita. Sem duvidas teve admiradores no Egito.
- A comunidade inglesa no Egito é pequena e minha vida social era limitada. Conheci rapazes em jantares, mas nenhum tocou-me o coração.
- Com certeza irá casar-se um dia. É uma mulher adorável e inteligente.
- Obrigada, capitão. – Rosa riu.
- Não estou brincando.
- De volta a Londres, encontrei o Sr Dark. Meu pai desejava que nos casássemos, mas eu não me imagino junto daquele homem.
- Depois do que a senhorita lhe disse, duvido que tentará se aproximar.
- Desconfio que ele deseje minha herança para seus planos.
- Eu a protegerei, Srta Dunn. E creio que depois de passar tanto tempo no estrangeiro, será bem vinda nos meios sociais. Ficarão curioso a seu respeito, e com relação às histórias que tens pra contar.
- Obrigada, mas prefiro não me adentrar nos meios sociais. Além do mais teria que aprender tantos comportamentos sem sentido...
- Sabe dançar senhorita? – Perguntou o capitão. – Antigamente eu adorava dançar. Posso ensiná-la a valsar?
- O senhor me surpreende.
Sam tomou-lhe a mão esquerda, e enlaçou-a pela cintura.
- Descance a mão sobre meu ombro e deixe-me conduzi-la.
- Vai cantar também? – Ela sentia o coração palpitar pela proximidade física com
O vigoroso Sam. Como não abandonar-se aquele delicioso contato?
- Minha voz é pior que a de um sapo – Ele sorriu – U:m, dois, três – Começou mostrando os passos. O pé manco não fazia diferença. Em breve, davam voltas pela sala, e Elisa sorria, inebriada. – Sabe ser conduzida, a pesar de preferir liderar.
- Estou feliz em deixar-me levar.
Sam a girou e girou. Rindo, Rosa não sabia se a leve tontura era causada apenas pelos rodopios.
De repente, Sam inclinou a cabeça e a beijou delicadamente na boca. Logo porém, o contato dos lábios foi se aprofundando, crescendo em intimidade a cada segundo. Rosa tentou resistir, mas finalmente cedeu e ambos se entregaram a um beijo úmido, quente, longo e sem limites.
Ao se separarem, ela fitou-lhe os olhos escuros e vislumbrou o neles o desejo ardendo como fogo.
- Não esperava que... – Murmurou, afastando-se com a ponta dos dedos, tocando a própria boca.
- Sinto muito. – Sam reaproximou-se. Rosa se afastou outra vez e ele caiu em si. – Não sei porque fiz isso senhorita Dunn. Eu só queria mostrar-lhe como se valsa nos salões de Londres.
- Deve julgar-me mulher que se entrega com facilidade.
- Claro que não!
- Jamais esperava que fosses beijar-me. Melhor esquecermos o que passou se desejas seguir como meu empregado.
- Naturalmente que o desejo. Mas me comportei mal e tens razões para dispensar meus serviços. Se pensa que...
Com um gesto, Rosa o fez se calar.
- Por favor, não conte a ninguém o que aconteceu – ela pediu sorrindo – afinal um beijo não é um crime.
- Tem razão, mas me preocupo que penses que tiro partido das situações. A senhorita me enfeitiçou! É tão linda e atraente que me fez perder a cabeça.
- A culpa é minha? Também é muito atraente capitão. – Rosa sorria, com os lábios mais convidativos que Sam já vira.
- Se não tomar cuidado, a beijarei outra vez. – Sam disse, mas caminhando em direção à porta.
- nunca o imaginei um conquistador capitão.
- Senhorita, a atmosfera dessa noite e o vinho me fizeram perder a cabeça.
- Qualquer que sea o motivo, espero que saiba se controlar. Esqueceremos esse incidente, mas será a primeira e ultima vez.
- Não ocorrerá de novo.
Rosa deixou-o o ambiente reservado, e subiu para os seus aposentos.
Afinal de contas, Sam talvez não fosse confiável, e podia tentar aproximar-se outra vez. Será que tudo que ele tinah a oferecer eram os lábios úmidos e quentes, e um físico atraente? Mas talvez fosse ela quem tivesse algo mais a oferecer...